É hora de chorar um pouco, esvaziar a garganta seca com angústias. Com essas lágrimas aqui, vejo o espectro dos meus erros e acertos, e a conclusão que chego é sempre a sua: tudo termina dentro de ti. O processo de tentar te esquecer termina em ti, o processo de tentar NÃO te esquecer termina em ti, o processo de te fazer viver em mim termina em ti. Não há fugas. Por todos os lados há respingos teus. Desisto dessa batalha cansativa de te compactar. Vou liberar tudo que posso para que meu pensamento nos resgate do terreno nebuloso da interrogação. E percebo que o amor e a dúvida são cúmplices indissolúveis, estão longe de ser inimigas coabitáveis. A dúvida dá ao amor a possibilidade de se melhorar, e o amor retribui para que a dúvida nunca se revele em esquecimento.
Dispenso definições. Escolho pela metamorfose de escrever livre, longe de qualquer vulto de encaixe. Se me perguntarem sobre o que é isso, hesito em responder. Apenas sinto...
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quinta-feira
terça-feira
No Consultório da Alma
Sintomas: Inspiração zero. Ideias bloqueadas. Imaginação infértil. Fé
abalada. Esperança machucada. Sonhos retraídos. Consciência incerta. Desejos abafados. Escrita vazia. Inteligência cansada. Sorrisos fracos. Solidão involuntária. Livros inacabados. Lembranças paralisantes. Filmes carregados. Olhos úmidos. Sonos inconcluídos. Músicas
doloridas. Criatividade anulada. Saudades cortantes. Amor em pulsação.
Diagnóstico: Estado
de vida em espera.
segunda-feira
Afetos Indissolúveis
. ..Onde você se esconde quando procuro por mim? Onde minha alucinação repousa quando te empresto o meu sangue cardíaco? Não corras na direção avessa a nós, pois em qualquer rastro que você escolher seguir estarei fincado a seu corpo como um parasita que sobrevive dos teus abraços. Te guardo aqui no canto secreto da esperança, te guardo de toda dúvida e ausência que ameace sua moradia em mim. Espanto os monstros da solidão e do medo com a tua lembrança estampada no meu peito, destruo qualquer ameaça de padecimento com a minha vontade de eternidade de ti, e continuo costurando sua anatomia nas minhas entranhas. Não há como fugir: somos inquilinos um do outro, um mutualismo sentimental obrigatório, um caso afetivo indissolúvel. Seremos eternos em nós...
domingo
A Outra Insônia Nossa
Não adianta. Já passa das duas da manhã e
nenhum vestígio de sono, nem mesmo um bocejo de consolo. Estou como que ligado
a uma energia soberba de tuas memórias, numa insônia digna de um escritor de
romances decadentes. Sinceramente, desejaria agora um sono pesado para escapar
da loucura de me renegar como ilegítimo. Uma cama bem profunda para afundar
tudo dentro dela, sem transtornos emocionais. Agüentaria tranqüilo uma dose de
vinte quatro horas apagado. Imagine se ausentar da trégua de viver por um
dia...seria um agrado para quem tem míseras seis horas de sono mal-concluído.
Mas
toda insônia tem um fundo de verdade, e a minha tem sido a sua. Onde estará você
agora? Sua carne e osso com certeza estão lhe pertencendo agora, mas eu guardo
teus desejos comigo, dos mais simples aos mais terríveis. Levo teus sonhos para
criar os meus, e vou elaborando meu plano de te pertencer de novo. Alguma vantagem tinha de sair dessa madrugada de
chuvas e ausências. E saiu: isso de ficar te resgatando na saudade é uma vantagem
e tanto, mesmo que os efeitos colaterais incluam olhos úmidos. Esperava qualquer
resposta que me aquietasse, sentir um punhado de paz no coração. Telefone mudo, peito em estalo, unhas ruídas,
palavras inchadas, esperança em estado de alerta, amor protegido: essas foram
as conclusões das horas que passei querendo te encontrar no meio de tantos
escombros. Mas não se preocupe. Eu não desistirei nunca da nossa salvação.
sábado
Uma Visita em Gotas
Agora entendo a sua aversão aos dias de
chuva. Eles são realmente catastróficos para o coração. Senti isso hoje, quando
a tarde foi dominada pela água. Com a cabeça encostada no vidro da janela, as
lembranças viam de gota em gota, me desafiando a ser forte. Não quis ter força
alguma naquela hora. Queria era desabar junto com a chuva, despressurizando
minhas neuroses e incongruências. E são tantas dessas. Mas a que mais me
atingia era a nossa neurose e a nossa incongruência, que por sinal é a mais
eterna de todas.
Você nunca errou quando dizia que a chuva
tinha um poder melancólico. Digo mais: ela participa junto conosco da gloriosa
arte de se compreender, mesmo sabendo da impossibilidade de uma conclusão eficaz.
De fato não interessa os concluídos, e sim os perdidos. E a chuva continuava, e
você se revelava naquela tarde como uma presença invisível de olhos, mas
latente de coração. Eu senti seu cheiro, sua pele úmida e sua sinceridade através
do vidro embaçado, e eu agradeci aos deuses da ilusão por ter você mesmo sem te
ter.
A chuva não foi tão má assim como você afirma.
É certo que ela me acertou na tristeza, isso eu não posso negar. Mas se não
existissem as gotas dessa sexta meu encontro contigo não teria sido tão nosso. Eu
fiquei cara a cara com o teu espelho e pude ver que o amor é um grande
sobrevivente.
quarta-feira
O Que Tem Dentro da Saudade?
Dentro de um livro, te encontrei em um
bilhete escrito com letras simples e sinceras, tão carregadas de sentimento que
não imagino como um papel tão leve agüentasse tanto amor grafado nele. Com mais
um pouco de passos, dentro da gaveta da escrivaninha te encontrei em um simpático
chaveiro que nunca usei, mas que sempre que abro a gaveta ele esta lá, sorrindo
para mim como se você tivesse lhe emprestado um sorriso.
Dentro do armário do banheiro, quem diria..., te encontro em uma escova de dentes gasta, meio aposentada, mas que parece viva na minha frente. Numa caneca estampada, que você diz que ser esquecida por mim, dentro dela eu também posso claramente te encontrar, mesmo assumindo o seu pouco uso na hora do café. E quando menos espero, num lugar nada sentimental e muito mercenário, te encontro: dentro da carteira, um retrato 3x4 materializa tua presença por alguns instantes sagrados.
E sem falar nos lençóis, chocolate, músicas, risos, esperanças, viagens, sushi, sonhos, segredos...ah, são tantas as tuas vidas dentro da minha. Tuas permanências vagam por aqui, soltas no espaço da indefinição, desvendando junto comigo o que tem dentro dessa dor metamorfoseada em saudade.
Dentro do armário do banheiro, quem diria..., te encontro em uma escova de dentes gasta, meio aposentada, mas que parece viva na minha frente. Numa caneca estampada, que você diz que ser esquecida por mim, dentro dela eu também posso claramente te encontrar, mesmo assumindo o seu pouco uso na hora do café. E quando menos espero, num lugar nada sentimental e muito mercenário, te encontro: dentro da carteira, um retrato 3x4 materializa tua presença por alguns instantes sagrados.
E sem falar nos lençóis, chocolate, músicas, risos, esperanças, viagens, sushi, sonhos, segredos...ah, são tantas as tuas vidas dentro da minha. Tuas permanências vagam por aqui, soltas no espaço da indefinição, desvendando junto comigo o que tem dentro dessa dor metamorfoseada em saudade.
segunda-feira
A Via Láctea do Meu Apartamento
Caramba, não sabia que um apartamento poderia
ser tão terrível quando apenas a solidão é sua hóspede. Os minúsculos metros
quadrados se proliferam em um claustro de paralisação. E a perdição colabora
para o confinamento. Você simplesmente não sente vontade alguma de passar a
chave na porta e encarar as ruas barulhentas e os corações calados das pessoas,
pois você também está calado naquele momento. Calado e preso.
Anda de um lado para outro procurando alguma
tolice para gastar seu tempo, mas só encontra cerâmicas frias que não
aprenderam a falar ainda. Mesmo sem fome, entra na cozinha, abre a geladeira.
Nada especial, o de sempre. Mas tanto faz, o que importa é mastigar, seja uma
maça ou um chocolate da semana passada embrulhado num papel colorido. Enche o
copo de água só para sentir algo leve em sua garganta, ou quem sabe umidificar
a solidão que já subiu coração acima. As gotas resfriadas se exibem no vidro do
copo, lembrando uma das lágrimas que caíram a pouco tempo no travesseiro
estampado.
Passa pela sala sem reação alguma, pois lá as coisas acontecem de
uma maneira prática. Revistas, televisão, correspondências, cadeiras e mesa,
tudo se eximiu diante da minha implosão emotiva. Me expulsaram de lá, essas
coisas insensíveis que habitam a sala. E, no meu quarto, é onde a maiorias das
minhas loucuras acontece. Desespero, lembranças afiadas e angústia povoaram as
quatro paredes brancas. Deitado na cama, o meu pensamento ia se desfiando como
um pedaço de carne para ser devorado. Mas, ao contrário de uma carne suculenta,
o que se via ali era um mingau ralo, sem gosto, vomitado pela fraqueza de
ingerir emoções. O choro vinha agudo, apertado pela enxurrada de lembranças. E
o ciclo não queria se romper. O quarto cada vez mais se espremia e se
agigantava, conforme eu conduzia meu show particular de masoquismo emotivo.
De
repente, houve um intervalo dentro de mim que pedia para aquilo encerrar.
Obedeci ao estranho chamado, o qual nem sei de onde realmente veio. E, por um
impulso sem cálculo, me dirigi ao banheiro, um lugar neutro e acolhedor. Talvez
pela sua brancura de paz, ou pelo seu caráter despretencioso. Foi lá, na pia,
com a torneira ligada, que joguei água em meu rosto, numa tentativa de acordar
da tortura vivida no quarto.
Acordei, mas não completamente. Levantando o rosto
diante do espelho, percebi que faltava alguma coisa ali. Lembrei dele, e isso
me estremeceu. Eu percebi que me faltava, ali, sempre e desde, uma dose de
coragem. Coragem para fazer do amor algo decente para a vida.
quarta-feira
Linhas de Salvação
Em cada linha que sair desse
lugar haveria de ter uma oração dentro, guardada só para teu alcance. Você
leria minhas palavras como se fossem sagradas, intempestivas de felicidade e
energia vital. Seria como um desenho dando vida ao seu personagem, que sai do
traço para a batida do coração. Se eu pudesse ter o poder da salvação nas
minhas palavras nos resgataria dessa tormenta emocional. Tiraria de vez essa
nuvem que nos ofusca para ter um caminho limpo pela frente. Eu sei que é tanta
explosão a cada hora que fica difícil se controlar. Sinto isso também. Mas, às
vezes por covardia ou fraqueza, faço disso uma implosão. Você tem a coragem de
romper para refletir, de mudar para renascer. Isso é fantástico, admiro sua
capacidade de encarar as coisas de maneira legítima, afinal você é raro. Faz
milagres em meu sentimento, simplesmente estando aqui. É por isso que quero,
desejo fortemente, ter palavras mágicas, redentoras, libertadoras para te
salvar também. Eu te salvo, tu me salvas, nós nos salvamos.
sábado
Delírios Líricos de Saudade Bate-bate ou Texto Desesperado da Espera Incessante
Saudade apertando aqui feito doença cardíaca,
feito vício de cafeína e pimenta. Tento olhar as coisas que te lembram, talvez
me confortem num instante de loucura, ou talvez me tragam mais teu vivo. Mais é
uma saudade boa, não de despedida, mas de espera ansiosa, de abraço duradouro e
de sinceridade. Enquanto isso, vou fazendo os elementares por aqui, enquanto
não me acompanha. Preciso confessar: hoje a saudade doeu um pouco, um pouco
mais do que queria que saísse. E saiu junto com uma lágrima de lembrança. Uma
sensação estranha de estar perdido me tomou num segundo, mas de imediato me
veio teu pensamento que me tirou desse buraco terrível de estar só. A graça de
alguns detalhes simplesmente se ofusca nos dias sem ti, na verdade até parece
clichê dizer assim, mas é uma eternidade mesmo te esperar. Tente ser rápido por
aí, que eu vou tentar ser devagar por aqui. Mais uma vez, saudades explodem,
cortam e me balançam de um lado para outro. Te amo abertamente, sem vidros nem
chaves, com o peito aberto para tua verdade. Beijos com asas!
quarta-feira
Suor doce e ócio corrosivo
Dizem que escrever é libertação, é buscar asas hipotéticas nas palavras. Para mim, escrever quase sempre é prisão, quase sempre é uma obrigação com meu intelecto emocional. Se fosse possível permaneceria sem um traço qualquer de linhas, seguiria seco de devaneios sem sentido. Se fosse cínico com a vida, com certeza não precisaria desenterrar nenhuma frase de abstração. Mas ele está ali, rígido e intolerante, esperando que algo divino desça na minha inspiração. Nada disso! inspiração nunca! o que você vê aqui é puro desmembramento árduo de se construir sentido real de onde tudo é pó cinza, de onde tudo é líquido insípido. O que faço aqui é suor doce e ócio corrosivo, é trabalho escravo com direito a férias diárias. Nada mais que minha forjada profissão. (...) Ele vai estar sempre me observando, me comendo aos poucos, me empurrando do porão da vagabundagem para a sala de estar da escrita. Ele, ele mesmo, é o responsável por essa catástrofe literária. Ele, o sonho.
domingo
Ausência de chaves, bloqueio de verdades
Me esquecendo um pouco, deixando de lado o problema Eu. É difícil por vezes ignorar o seu próprio, mas é preciso para o destravar. Parece uma energia que bloqueia qualquer reação de vida, e isso é algo que vem de dentro. A culpa é toda do interior, pois é nele que o obscuro ganha forma e atinge o fora. Nessas horas, o esquecimento é chave para o tormento, e mesmo que dure segundos, tenho uma breve sensação de liberdade quando fujo de mim. Uma fuga desenfreada, perdida, atrás de do mínimo de respiração que eu possa encontrar. O mesmo Eu que libera é o mesmo Eu que encaixa. Mas é tudo ilusão rápida, que depois traz a verdade consigo. A verdade toda inibida em mim. A possibilidade bloqueada em mim. A ausência de chaves dentro de mim. É uma alucinação mesmo ser auto-inimigo, pois é uma traição própria, legítima. Vou dispensando enquanto posso esses bloqueadores, me esquecendo vez por outra para ao menos me sentir por alguns instantes, momentos sagrados de iluminação.
quinta-feira
Dissecando intimidades
Sempre que necessário é bom se dissecar um pouco, ver cada nervo de verdade e cada músculo de interrogação que descansa sobre a nossa anatomia psicoalucinada. É quase toda de alucinação que formamos nosso auto- retrato. Por isso, esse mergulho dentro dessas viagens internas é fundamental para avaliar a tolice da qual adoramos praticar. Temos medo do cubo do reconhecimento pessoal, pois ele dói tanto que nos grudamos ao comodismo do sorriso fácil e descartável. Estou caindo de fato na realidade de que muita coisa em mim merece ser enlatada urgentemente, há lixo alegre e falso que deseja um bom depósito de vergonha e reciclagem. Os tempos de reciclagem podem demorar a surgir, mas quando se soltam vem com toda a velocidade de uma opinião sincera que quase sempre nos falta. Vou aproveitar esses segundos raros de onipotência emocional para liberar essas minhas sinceridades nuas!
segunda-feira
Multiplicidade
terça-feira
NEUGATIVAS
Não. Não sou isso que vejo. Não sou aquilo que querem.
Não sou ele que se imagina e nem aquele que se vive.
São tantos eus e tantos outros que de tanto se encontrar já se formam em um par. Na verdade já nem sei se quem escreve sou eu ou o outro que insiste em me guiar mesmo sabendo que eu já não posso mais me aceitar.
Não. Não sou isso que vejo. Não sou aquilo que querem.
Não sou ele que se imagina e nem aquele que se vive.
Sou o que se erra, o que se deseja, o que
se esconde.
Não sou eu que fala, que ama, que dorme.
Eu sou o outro que se
procura dentro do eu
que se perde no infinito da inconstância.
Esse outro
que quer ser eu e esse eu querendo ser outro.
São tantos eus e tantos outros que de tanto se encontrar já se formam em um par. Na verdade já nem sei se quem escreve sou eu ou o outro que insiste em me guiar mesmo sabendo que eu já não posso mais me aceitar.
quinta-feira
Uma dorzinha que nem quer ser dor
É
tanta lembrança que insiste a sair a toda hora, junto com umas lágrimas também.
No estômago uma queimação ferve, e no coração pontadas agudas. A garganta parece
que vai travar, um fôlego de enlouquecer. O corpo não sabe se vai ou se pára. A
somatização da saudade é potencialmente sintomática, pode crer! Uma impaciência
percorre a sua calma, tomando forma de um pânico indistinto. Quanto mais pensa
em afastar os pensamentos, mais eles cutucam seu coraçãozinho. Saudade poderia
também se chamar Selvagem. Nem adianta chá de camomila ou erva doce, quando ela
bate só quer saber mesmo é de bater. E dói viu. Uma dorzinha que nem
quer ser dor, mas já nasce sendo. Livro, chocolate, filme, e besteiras
virtuais, nada resolve. Respeitamos ela, dona da vez e da verdade. Como dizia
Clarice, “Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a
presença.” E quando não se pode comer a presença, o jeito é seguir
sobrevivendo a pão e água. Eita saudade doida essa!
segunda-feira
Falsa-Mente
Falsamente eu não minto. Digo sempre a verdade hipócrita aos sábios pseudológicos. Vou criando dentro do vazio um recheio de fantasia. Vou fazendo a festa aqui mesmo no porão. Cá estão dentro de mim o sim, o não e o senão. Se não fossem istos eu não teria sido aquilos. A comédia que me tira lágrimas é aquela feita com o coração. Brinco sempre de adulto porque a criança guardada em mim está ocupada com os sonhos. Sonho mesmo que não chegue no fim do arco-íris, pois sei que no meio dele há muita esperança para alimentar. Vou caindo no mesmo buraco, mas estranhamente o buraco vai caindo sobre mim. Aí nós dois ficamos equivalentes, eu e o buraco. E então deixo todas essas imaginações psique de lado e vou tratar é de dormir. Dormir também é viajar.
sexta-feira
Engolindo sapos prolixos do contra-objetivo
Ainda não consegui achar aquele ponto crucial onde as minhas palavras se existem como livres. Toda essa minha escritura anda presa ao intrincado, ao mais enrolado dos rolos de papel. Destrinchar essa escrita pesada é tarefa difícil. Aguardo o dia em que vou poder respirar aliviado enquanto escrevo. E esperando sentado o momento dessa magia textual, vou engolindo os sapos prolixos do contra-objetivo, da contra--fluidez, da contra-clareza. Oh Senhor! Liberte-me dos adjetivismos cruéis! Dai-me os substantivos para eu devorar! Perdoa todos os meus pecados pleonásticos e redundantes! Abaixo ao edema literário!!!
quinta-feira
A primeira vez a gente (quase) nunca esquece
Ops! Primeira postagem. O que se escrever quando se tem tantas ideias e tanta dúvida? Para ser sincero não sei. O que interessa é começar. Nem que se fale de qualquer coisa de um assunto qualquer. O negócio é tirar a poeira do cérebro, esticar os dedos e enfiar o pensamento no lugar do vento. Receitas de bolos, notas de filmes, comentários nada-a-ver, absurdas notícias, loucuras e teorias falidas, incrivelmente tudo, pode ser digitado e processado como leitura. Sim, por que imagina-se que escrever é ler. Escrever é subverter a preguiça, é dialogar com pecado do parasitismo intelectual. Escrevo não porque tenho mãos, mas porque tenho coragem. Escrevo para enfrentar o pior de mim e assim me construir melhor. Treinar meu texto, eliminar meus vícios, sucumbir a outros, recuar, decair, repensar, refazer, progredir, APRENDER. É isso!!! Escrevo para aprender a escrever. E aí, com esse blá-blá-blá, fecho por aqui meu comentário inaugural. Ponto final.
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